Círculos de diálogos restaurativos nas escolas
Círculos de diálogos restaurativos - Corações em Diálogo - Niterói - RJ

Círculos de diálogos restaurativos nas escolas

Conheça a importância dos círculos de diálogos restaurativos na formação moral e na convivência familiar e escolar das nossas crianças

Você já parou para pensar na força que um círculo de conversa pode ter na convivência familiar e escolar? Pensar em espaços onde o diálogo e a escuta encontram-se é pensar na efetivação dos quatro pilares da educação (aprender a ser; aprender a conviver; aprender a conhecer e aprender a fazer) e, consequentemente, é pensar em comunidade como algo construído a partir da experiência de contato espontâneo/natural com o mundo que nos cerca, bem como de trocas ricas, potentes e criativas que existem em todos os tipos de relação. E os círculos de diálogos restaurativos são uma possibilidade para experimentarmos essa concepção. Vamos analisar o porquê?

Uma metodologia ativa 

No contexto escolar, empregamos os círculos de diálogos restaurativos como uma metodologia ativa que, apesar de ter como objetivo central a construção de uma formação moral partindo do protagonismo infanto-juvenil, apresenta amplas possibilidades de ensino-aprendizagem, pois engloba elementos importantes do desenvolvimento verbal, visual, gestual e sonoro da criança e do adolescente. É importante frisarmos que, nos círculos de diálogos restaurativos, os adultos tomam a posição de facilitadores do desenvolvimento moral.

E como os círculos de diálogos restaurativos acontecem?

Uma das propostas destes círculos é “conhecer” mais sobre si mesmo, “possibilitar” um olhar empático e compassivo em relação ao outro e, por fim, “considerar” esses dois aspectos cruciais para a convivência humana. Quando nos posicionamos em formato circular, oportunizamos uma maior interação entre as partes e uma possível construção do pensamento coletivo a partir da escuta de pontos de vista diferentes. 

Os círculos de diálogos restaurativos são estruturados a partir de dinâmicas nas quais podemos agregar músicas, danças, jogos, brincadeiras educativas que abrem espaço para a fala, escuta, contato visual e corporal. Ademais, por meio de perguntas norteadoras, o facilitador do círculo de diálogo contextualiza os assuntos principais e, com as respostas dos participantes, auxilia na construção coletiva do conhecimento a ser atingido com a vivência circular. 

Mas o que a formação moral tem a ver com isso?

O educador Paulo Freire, no seu método, prioriza este formato dinâmico de educação proporcionado pelos círculos de diálogos restaurativos, em que a criança, adolescente e o adulto sentem-se “aprendentes e ensinantes”, ou seja, a construção do saber acontece em permanente conexão com o todo (coletivo), pois ele acredita que é a partir da troca que exercemos nosso “ser cidadão”, nos sentimos sujeitos da história e identificamos nossa essência; em outras palavras, passamos a obter respostas sobre nossa existência, nossa humanidade.

Quando a práxis de uma formação moral é baseada em perguntas reflexivas e na participação coletiva, o resultado obtido gera mais sentido, curiosidade, amorosidade, respeito e compreensão do nosso papel no espaço de convivência, posto que nos aproximamos uns dos outros, dando significado ao que é “se relacionar”. É na relação que nós, seres humanos, nos transformamos e construímos as nossas histórias e referências.

Os papéis do diálogo, da escuta e da reflexão na formação moral

Quando proporcionamos a construção de uma formação moral, principalmente, por meio do diálogo e da escuta, como ocorre nos círculos de diálogos restaurativos, criamos uma prática pedagógica (uma vivência) que ao mesmo tempo nos liberta enquanto indivíduos e nos acolhe nas nossas diferenças. O formato circular dá a ideia de fluxo constante com conexão permanente, ou seja, é preciso dar e receber para que tudo flua. E o conviver é exatamente isso: compreender o equilíbrio entre dar e receber, escutar e falar…

Os círculos de diálogos restaurativos, a partir de atividades que nos propiciam discussões saudáveis e reflexivas, possibilitam a geração e o fortalecimento dos valores humanos e, assim, é construída uma formação moral que tem como base a filosofia da Justiça Restaurativa.

Estar em um círculo de diálogo, antes de mais nada, nos oferece o sentimento de pertencimento, a conscientização do que é “ser” e, consequentemente, o olhar para o outro “ser humano”, por fim substancializa a ideia de comunidade constituída pelo respeito e pela participação de todos os indivíduos de forma horizontal.

Os círculos de diálogos restaurativos de mãos dadas com a educação

Ao avaliarmos o que “se ensina” e o que “se aprende”, pedagogicamente, nos círculos de diálogos restaurativos e o que está estabelecido no conteúdo programático proposto pela Base Nacional Comum Curricular – BNCC, verifica-se que existe uma convergência de resultados obtidos nos círculos de diálogos com boa parte das disposições de competências gerais assentadas na BNCC. Sendo assim, buscamos finalizar esse texto, por hora, somente elencando o que pode ser trabalhado nos referidos círculos de diálogos e o que está ordenado na BNCC para que você consiga visualizar a eficiência e efetividade das práticas circulares restaurativas.

Nos círculos de diálogos restaurativos desenvolvemos a compreensão do que é: respeito, igualdade, tolerância, empatia, alfabetização emocional, habilidade para solução de problemas, responsabilidade, autocontrole e autoconscientização, liderança compartilhada. Além disso, amplia a autonomia, a criatividade, a cooperação e a negociação em contextos coletivos. Já as dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular são conhecimento, pensamento científico, crítico e criativo, repertório cultural, comunicação, cultura digital, trabalho e projeto de vida, argumentação, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação e, por fim, responsabilidade e cidadania. Se ambos têm semelhantes fins, por que não uni-los?

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