Fluxo, rompimento e conexão interpessoal
Fluxo, rompimento e conexão interpessoal - Corações em Diálogo - Niterói - RJ

Fluxo, rompimento e conexão interpessoal

Uma reflexão sobre a importância da pausa durante o processo de rompimento do fluxo de conexões interpessoais 

Um pouco diferente dos meus conteúdos anteriores, eu trago hoje uma reflexão; reflexão esta que tem a ajuda, para ser contextualizada, de um trecho bem inspirador do livro A Força, de Nina Zobarzo, e que me fez trazer a esse blog post os temas que iremos discutir: fluxo, rompimento e conexão interpessoal.

“Permita ser mal visto, mal falado, mal avaliado! Permita que se enganem a seu respeito, que deem risadas pelas costas! Permita que julguem, que cochichem, que acreditem saber quem você é! Permita que ‘‘olhem torto’’ que se afastem, que o excluam, que o rejeitem! Enfrente seu maior pesadelo e veja que, sim, ele acaba em morte! Morte deste que era escravo ‘dos outros’. E então viva, viva livre, sem medo. Porque o ‘outro’ não tem mais poder sobre você.”

Nina Zobarzo

O fluxo

Pensar em sistema, aquele que existe dentro de nós e aquele que existe na nossa sociedade – e que influencia em como compreendemos o nosso ser e estar no mundo – leva a refletir sobre rompimento, construção, interligação, conexão. A esse sistema eu gosto de chamar de fluxo.

Esse fluxo é gerado pelas relações interpessoais, que formam uma conexão de sentimentos, ideias, cobranças, recompensas, expectativas, decepções e tudo aquilo que o contato com o outro pode provocar em nós. O fluxo é uma troca constante, infinita e fluida, que pode ser tanto saudável e harmônica quanto caótica e tóxica, mas o funcionamento é sempre o mesmo: o fluxo começa em mim e vai até o outro, que me devolve; que começa no outro e vem até a mim, e eu devolvo.

O fim de um ciclo: uma perspectiva pessoal

Há algum tempo, estive na minha casa buscando aceitar um processo que denomino de rompimento “invisível e silencioso” do fluxo, um momento em que temos a necessidade de analisar e fechar um ciclo e nos reenergizarmos para recomeçar o fluxo. Logo quando cheguei a esse importante momento, percebi que algo havia mudado em mim. Nesse período, estive cansada, desanimada. 

Cansaço, baseando-se no sentido literal da palavra, pode ser entendido por: “um estado de fadiga” ou “um estado de aborrecimento; tédio”. E desânimo, no sentido literal, entende-se por “um estado de quem se mostra desestimulado e sem motivação”.

Então, lendo essas descrições, procurei compreender ao que elas fazem referência e cheguei à conclusão de que descrevem somente os sintomas do que eu estava sentindo, talvez! Porém, preferi me colocar mais intensa e profunda na minha constatação de cansaço e desânimo: qual era a causa disso?

Reflito que o cansaço possivelmente vinha de uma posição em que me coloquei de assumir muitos “afazeres”, e, com eles, as necessidades de entrega, de execução, de dar conta de tudo da melhor maneira também chegaram, no primeiro momento, na minha mente e depois no meu corpo! O desequilíbrio tinha demonstrado sinais de estresse que brotaram por todo o meu físico. Já o desânimo, quem sabe, vinha do fato de eu estar fazendo coisas que não tinham sentido com o que eu escolhi construir no momento. Fui aceitando os pedidos que chegavam e perdi o foco principal da minha caminhada, ou seja, posso dizer que eu havia perdido a roda do leme ou o timão do meu barco!

Um momento para o rompimento do fluxo e a reconexão

Superado o momento da aceitação do fechamento, restou-me o passo da ação. Nesse ponto, senti que precisava de uma pausa para esvaziar e recarregar a minha energia vital (corpo e mente/pensamentos e emoções). Era chegado o momento de me fortalecer para o rompimento do fluxo, deixando no passado aquilo que não fazia mais sentido para mim, mas que ainda rondava minha mente, me enfraquecendo ou me adoecendo.

Essa pausa foi necessária para eu me reconectar comigo mesma e ter a chance de me perguntar mais uma vez o que eu precisava (meu pulso) e o que eu almejava (minhas metas), de me reconhecer e acolher o meu ser para identificar e sentir a minha individualidade (minhas potências e meus desafios/minha luz e minha sombra) e, finalmente, de buscar um novo fluxo, indo ao encontro do outro com toda a minha inteireza, para oferecer a ele um estado de presença de qualidade, não porque eu me sinto obrigada a estar ali, mas porque eu me permito essa presença.

A importância de querer e de se permitir conectar

Realmente, o fluxo é uma troca constante e infinita, mas como manter esta fluidez? Como eu faço para que o fluxo da troca – aquele que alimenta, que é saudável e harmônico e, por isso, construtivo/evolutivo – não seja interrompido?

Quando o fluxo é interrompido, acontece a morte ou algo é danificado! Se eu estou falando de relação, seja intrapessoal ou interpessoal, eu preciso me perguntar: eu quero que essa relação morra ou seja danificada?

Pausar, observar e refletir sobre o momento é necessário e fundamental para se posicionar diante da vida e assim prosseguir! É essa a reflexão, baseada nas minhas próprias experiências, que eu trago aqui para o blog com a esperança de que ajude vocês como me ajudou.

Gostou desse conteúdo? Entre em contato comigo pelo WhatsApp e descubra mais do projeto Corações em Diálogo. Venha fazer parte desse círculo de paz e humanidade.

Deixe um comentário