Foco no outro: as comunidades restaurativas na pandemia
Comunidades restaurativas em meio à pandemia - Corações em Diálogo - Niterói - RJ

Foco no outro: as comunidades restaurativas na pandemia

A individualidade como foco para o outro nas comunidades restaurativas na quarentena.

Nestes tempos em que o olhar se volta muito para o externo – não me refiro ao que chamamos de “o outro” –, surge a oportunidade de parar e buscar olhar para o interno. Sabe aquilo que é invisível aos olhos, mas que sente a cada instante? Ou seja, aquilo que existe dentro de nós e que, por vezes, temos dificuldades de compreender, porque a construção do conviver está mais direcionada ao ensinar e ao aprender o conteúdo (o concreto). Por fim, é refletir não somente em relação àquilo que é palpável, que pode ser visto e mensurável aos nossos olhos e aos olhos da maioria das pessoas.

Contudo, quando somos surpreendidos por algo “também invisível”, buscamos a todo momento mantermo-nos limpos externamente, achando que se mantivermos nosso corpo impecável, “o invisível” não chegará! Todavia, ele já chegou e faz tempo… Aí você pergunta: que invisível é esse que já chegou faz tempo? Trata-se da indiferença, da depreciação, do desrespeito, do desamor, do desprezo, da inconsciência, da leviandade, da irresponsabilidade, da desarmonia, da intolerância em relação a outras pessoas – o outro.

Um convite para o olhar interno

Mantemos os nossos olhos diariamente fechados para o que acontece internamente e focamos na limpeza do “externo” (o que está do lado de fora), apesar da grande oportunidade que estamos tendo de transformar o interior (aquilo que nos constitui enquanto ser humano). Atualmente, o que chega é um convite à ruptura de sistemas interno e externo, uma mudança de olhar, para que você se permita viver a partir do sentir mais profundo – sua essência – e, assim, construa espaços de diálogo e de escuta mútua que priorizam a empatia e a compaixão com o outro.

É conviver buscando a seguinte compreensão: “as experiências individuais, potentes ou desafiadoras, que passamos e sentimos, o outro também passa e sente”. Então, mediante essa conscientização, por que não buscar a limpeza dos preconceitos, das inquietudes, do desamor próprio? E, quando tudo isso passar (que passará), poderá abraçar o outro! 

Dando-lhe um abraço de paz! E, por meio deste dizer (não somente em palavras): eu respeito, eu amo, eu aceito, eu compreendo, eu acolho você com as suas imperfeições, suas aflições, pois eu também as tenho e passo por elas – eu aprendi isso com “o invisível”! Porque estou em construção e em transformação assim como você! E buscarei dar o meu melhor para um bom convívio de todos nós. Até porque o que não faltarão são ameaças invisíveis que, mesmo de mãos lavadas, nos farão vigiar tanto nossos comportamentos externos quanto nossos movimentos internos.

Estamos aqui para nos ajudarmos, sim!

Você não está sozinho nas batalhas da vida! Somos seres humanos e vivemos em comunidade, a relação é fundamental (o estar com o outro). Ensinar e aprender (trocar/compartilhar) um com o outro – esse é o propósito “das ameaças invisíveis”! Já parou para pensar nisso?

O convite também é para refletir no seguinte sentido: “a comunidade está além de uma constituição de regras ou de padrões. Ela é a margem, ou seja, circunda e compõe todo ser humano. O indivíduo, quando se sente pertencente à uma comunidade, passa a se enxergar de forma integral!” Por isso, se faz tão necessário e tão imediato o olhar atento para a comunidade – porque ela funda-se em nós, seres humanos, que convivemos no aqui e no agora!

A comunidade só existe para o outro

Falar em comunidade é pensar e cuidar do ser (refere-se à existência) que se revela no encontro de um eu com o outro, posto que nela ocorre o equilíbrio das singularidades, das essências. Assim como as emoções (aquilo que se sente!), a comunidade pura e simples (em conceito) não é palpável. Nem mensurável! Ela é experienciada no encontro com o outro, nos limites dado por esse outro que permite enxergar as singularidades separadas e a completude que se concretiza na comunicação. 

“A comunidade é o que acontece sempre através do outro e para o outro.”

Por conta disso, é preciso acreditar que a comunidade não está perdida e não se perderá! Caso contrário, o ser humano também estaria perdido e não conseguiria descobrir a sua integralidade. Viver em comunidade é ser humano, pois se não existir troca/partilha de palavras, de risadas, de choros, de olhares, de gestos não se pode acolher o que existe dentro de cada um de nós e o que nos é comum (que nos agrega, que nos faz essencialmente semelhantes). 

“A comunidade é um dom que se deve renovar, que se deve comunicar.”

É por isso que, para abraçar as individualidades (potencialidades e desafios), necessitamos da relação tanto intrapessoal (tendo o silêncio como o grande mediador) quanto interpessoal (que efetivamente trata-se de viver os propósitos, de ofertar amor, de convidar para “ser” etc.). 

Construir e transformar uma comunidade é uma tarefa acima de tudo dos corações que sentem e que geram conexão sempre com o outro ao nosso lado. Alcançar esse fim requer tempo e estudo, por isso o Instituto Corações em Diálogo oferece cursos, oficinas, palestras e atendimentos individuais, os quais você pode conhecer mais na seção de serviços do nosso site. 

Ficou interessado? Entre em contato comigo pelo WhatsApp e descubra mais do projeto Corações em Diálogo. Venha fazer parte desse círculo de paz e humanidade.

Deixe um comentário