Mudar a convivência requer enxergar a si mesmo

Mudar a convivência requer enxergar a si mesmo

Entenda por que precisamos mudar a nós mesmos para mudar a convivência com o outro

Mudar a convivência com o outro é sempre uma tarefa árdua, seja com família, seja com colegas de trabalho. Essa mudança é possível, mas requer dedicação e um olhar aguçado para dentro de si mesmo. 

Antes de tudo, desejo instigar você a refletir, nos observando ao longo da história, começando com duas perguntas: nós, seres humanos, interiormente mudamos alguma coisa? Apesar dos grandes e importantes avanços tecnológicos e científicos que estamos presenciando nos tempos atuais, o indivíduo – psicologicamente – mudou? Esses dois questionamentos são vitais para podermos desenvolver o pensamento de hoje. Quer saber mais? Vem comigo! 

Somos partes de um todo

Temos ciência de que a estrutura da sociedade foi e continua sendo criada por nós – indivíduos – que somos moldados a partir das relações, das experiências de vida (podemos então dizer que somos produtos do que vivenciamos através do tempo ou do espaço no qual estamos inseridos). Ou seja, toda história humana está escrita em cada um de nós. 

Contudo, passo a perceber que existe um movimento contínuo que não sabemos onde ele se inicia e onde termina, ou seja, não é possível identificar se este ciclo é iniciado no indivíduo e depois para a sociedade ou se ele se inicia na sociedade e produz, assim, o indivíduo. Mas, dessa percepção, uma terceira pergunta surge na cabeça: como reconstruir as bases/os valores que permeiam este ciclo? Como buscar novas experiências relacionais e, simultaneamente, individuais para transformar a sociedade e, portanto, mudar a convivência com o outro? A resposta é simples: enxergar a si mesmo.

Olhando para dentro de nós mesmos

Um primeiro passo para poder alinhar as expectativas com a sociedade é observar o que realmente está ocorrendo do lado de dentro enquanto toma-se consciência do quanto que o externo – a cultura da competição, do desejo de poder, de “status” etc. – afeta o nosso interior, gerando grandes conflitos, primeiramente, no lugar mais íntimo que existe dentro de nós (na nossa psique, no nosso mental) e alimentando a inveja, a agressividade, o ciúme, a ansiedade.

A batalha da existência começa internamente, consentindo que é preciso “deixar morrer para renascer” (Roberto Crema) – é preciso que alguns costumes e crenças de um sistema insustentável que existe dentro de nós sumam, para que não sejam mais reproduzidos e não atrapalhem o nosso objetivo de mudar a convivência com o próximo.

Para mudar a convivência, precisamos mudar a consciência

Aquilo que vemos na sociedade nada mais é o que existe dentro de nós! Aquilo que cultivamos na nossa psique/no nosso mental, inconscientemente, repetimos nas relações interpessoais, pois temos medo de reconhecermos em nós a dor, temos medo de olhar para nossas próprias mágoas.

E, por isso, somos, “cada um de nós”, inteiramente responsáveis por toda a situação de violência no mundo! Isso porque aceitamos ser violentos com nós mesmos!

Mas como nós poderemos criar uma sociedade diferente da que experienciamos hoje e mudar a convivência com o outro?

Talvez o início seja nós, eu e você, aceitarmos que precisamos parar para observar ativamente o que está acontecendo na nossa vida diária e promovermos em nós mesmos a nossa revolução interna (tomarmos consciência desse fluxo contínuo – deste movimento natural: “o que está acontecendo no meu interno é expresso no exterior, e o que acontece no exterior reverbera no meu interior que faz o meu interior reagir de alguma maneira para o lado de fora novamente”). 

(Re)aprender a ser

Este exercício – de se enxergar, de se escutar – exige do indivíduo muita energia, pois demanda força para mudança, para sair do lugar comum – uma força para tirar nossa psique/nossa mente do automático, da anestesia. Exige força de vontade!

O convite que fica é refletir que o reaprender a ser se encontra em uma dimensão do não saber estabelecida por meio do silêncio interior, da presença em si mesmo, ou seja, é um aprender a se esvaziar do passado (se apoderar e fazer escolhas conscientes a partir dele), bem como um aprender a não projetar o futuro (mas construir no presente ações a contar do despertar ciente do que se sente e do que necessita verdadeiramente). 

O poder da autocompaixão

Portanto, penso que uma forma de romper ciclos “padronizadores” seja olhar para aquilo que nos afeta, que causa dor, ou seja, é não ter medo de realizar mergulhos internos profundos: acolhendo as emoções e compreendendo os sentimentos que são produzidos para “materializá-las”, buscando identificar a história/o fato que existe por trás desse sentir, mas sempre cultivando a autocompaixão.

Estudos comprovam que o desenvolvimento da autocompaixão nos torna mais receptivos e não críticos em relação ao outro. Sendo assim, o tratar a si mesmo com gentileza também auxilia na conexão com o próximo, pois nos ajuda a enxergar que as outras pessoas, assim como nós, passam por dificuldades e possuem dores (sentimentos latentes de necessidades não atendidas). E isso promove um ganho de flexibilidade no que tange a respeitar as opiniões e as escolhas do outro, já que passamos a considerar que os pontos de vista podem ser diferentes, ou seja, nos colocamos mais disponíveis às conversas para resolver problemas, mudar a convivência e promover outras transformações nas relações interpessoais.

Mudar a convivência com o outro e com nós mesmos

Concluo esse texto reflexivo trazendo as seguintes considerações: primeiro, precisamos tomar consciência que somos seres emocionais e buscar perceber os processos internos que acontecem por interferência daquilo que nos afeta, em segundo lugar, precisamos adquirir recursos que viabilizem a gestão das nossas emoções e a satisfação das nossas necessidades, por fim, precisamos exercitar o autoacolhimento e a autocompaixão, principalmente em momentos difíceis. E, no curso dessa reestruturação interna, poderemos mudar a convivência e criar uma sociedade diferente desta que vivenciamos hoje. 

É abrir espaço para o se conhecer a partir do que lhe afeta e daí em diante buscar uma convivência com base em um agir consciente do emocionar!

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